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Saída pela direita? Crise econômica e política e movimentos de extrema direita em Sorocaba na década

Carlos Carvalho Cavalheiro

2015



Há uma tradição inventada[1] acerca do caráter ideológico de cunho liberal que permeia a História e a política de Sorocaba, cidade do interior paulista. Ela pode ser vista e apreciada na divisa do Brasão de Armas, que também figura em sua bandeira, cuja frase em latim pode ser traduzida por “Combati por uma Pátria una e livre”. Em latim, a palavra livre é libera.

Foi em Sorocaba que eclodiu, em 1842, a Revolução Liberal liderada por Rafael Tobias de Aguiar (o Brigadeiro Tobias) e o padre Feijó. Esse fato histórico será “recuperado” posteriormente, especialmente nas primeiras décadas do século XX, alcunhando a cidade como “Tobiápolis”, ou cidade de Tobias de Aguiar, líder do Partido Liberal no Império.

Um suposto “liberalismo sorocabano” será aventado décadas depois, e será especialmente festejado no livro “O Liberalismo em Sorocaba”, do historiador e memorialista maçom José Aleixo Irmão, o qual afirmava ser essa corrente ideológica inspirada nos irmãos Andrada, no senador Diogo Feijó, e até no Marquês de Pombal, sendo que em seus princípios defenderia a tolerância religiosa, a limitação dos poderes estatais, a defesa da liberdade do comércio, “a rejeição restritiva da liberdade dos proprietários”, entre outros; tendo em Sorocaba a figura de Rafael Tobias de Aguiar como lídimo representante dessa corrente liberal (ALEIXO IRMÃO, 1986, pp. 14 – 15).

Como bem anotou o historiador Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho, “do ponto de vista simbólico, a menção a Sorocaba como “terra de Tobias”, sempre num sentido enaltecedor, parece ganhar força na República” (CARVALHO, 2010, p. 55). A princípio, como entende o historiador, a associação do liberalismo de Tobias de Aguiar servirá para justificar o “progresso” industrial e capitalista da cidade de Sorocaba, que no início do século XX será de tal modo otimista que atingirá o imaginário até das classes trabalhadoras, ou, pelo menos, daqueles que se diziam seus porta-vozes.

É o caso do jornal “O Operário” que circulou entre os anos de 1909 a 1913 e que francamente imprimia um contraponto aos discursos das classes dominantes, especialmente representadas na época pelo jornal “Cruzeiro do Sul”, a quem se fazia oposição. Em 1909 o jornal “O Operário” trazia em uma de suas colunas a frase: “A legendária terra de Raphael Tobias, a “Manchester Paulista”, todos os annos se engrinalda com as suas flores...” (CAVALHEIRO, 2010, p. 20). Um famoso jornalista da cidade, Francisco Camargo César, conhecido pelo apelido de Cecê, costumeiramente chamava a cidade de “bella Tobiápolis” (CARVALHO, 2010). O historiador Aluísio de Almeida, que teve a mais extensa produção sobre a história de Sorocaba até hoje, e que, portanto, serviu de base para a chamada História oficial, cunhou um termo que resume bem todo esse imaginário. O padre historiador chamou a cidade de Sorocaba de “Meca do Liberalismo” (CARVALHO, 2010, pp. 55; 163).

É de se perguntar, então, por que se pode considerar o discurso liberal como uma tradição inventada em Sorocaba se aparentemente era uma unanimidade? Primeiramente, porque o suposto liberalismo do passado não era o mesmo que se arvorava no século XX. Buscar no passado uma referência apenas pelo uso da mesma nomenclatura pode ser um exercício de intenso anacronismo. Mas funciona, enquanto simbolismo de justificação para a imposição de um modelo ideológico. No entanto, o liberalismo do antigo Partido Liberal, do segundo reinado do Império brasileiro, não possuía muitas similaridades com o discurso do liberalismo do século XX. Ademais, como se desconfia pelas crônicas e documentos da época, não havia muita diferença entre o Partido Conservador e o Partido Liberal no segundo reinado e o nome da cada sigla nem sempre representava um caráter profundamente marcado pela ideologia. Diz o historiador Boris Fausto sobre esse aspecto:


Os dois grandes partidos imperiais – o Conservador e o Liberal – completaram sua formação em fins da década de 1830, como agremiações políticas opostas. Mas havia mesmo diferenças ideológicas ou sociais entre eles? Não passariam no fundo de grupos quase idênticos, separados apenas por rivalidades pessoais?

Muitos contemporâneos afirmavam isso. Ficou célebre uma frase atribuída ao político pernambucano Holanda Cavalcanti: “Nada se assemelha mais a um “saquarema” do que um “luzia” no poder”. “Saquarema”, nos primeiros anos do Segundo Império, era o apelido dos conservadores. Derivava do município fluminense de Saquarema, onde os principais chefes do partido possuíam terras e se notabilizavam pelos desmandos eleitorais. “Luzia” era o apelido dos liberais, em uma alusão à Vila de Santa Luzia, em Minas Gerais, onde ocorreu a maior derrota destes, no curso da Revolução de 1842. A idéia de indiferenciação dos partidos parecia também confirmar-se pelo fato de ser freqüente a passagem de políticos de um campo para o outro.

Na historiografia, existem opiniões diversas sobre o tema, variando de acordo com as concepções gerais dos autores sobre o período e mesmo sobre a formação social brasileira. Por exemplo, Caio Prado Junior admite a existência de certo conflito entre o que chama de burguesia reacionária, representada pelos donos de terras e senhores de escravos, e a burguesia progressista, representada pelos comerciantes e financistas. Mas, segundo ele, a divergência não se manifestava através da política partidária. As duas correntes se misturavam nos dois partidos, embora houvesse certa preferência dos retrógrados pelo Partido Conservador.

Por sua vez, Raimundo Faoro vê no Partido Conservador a representação da burocracia, enquanto o Partido Liberal representaria os interesses agrários, opostos ao reforço do poder central promovido pelos burocratas.

Ao considerar a questão, devemos ter em conta que a política desse período, e não só dele, em boa medida não se fazia para se alcançarem grandes objetivos ideológicos. Chegar ao poder significava obter prestígio e benefícios para si próprio e sua gente (FAUSTO, 1999, pp. 180 – 181).


O liberalismo pregado nas primeiras décadas do século XX será outro e poderá ser “rastreado”, em seus objetivos ideológicos, a partir da Constituição republicana de 1891, que terá caráter eminentemente marcado pela influência dos partidários da República liberal (FAUSTO, 1999). A Constituição deu as bases para o novo liberalismo “brasileiro”, que sofreu forte influência do modelo estadunidense. Disso decorre que o país se organizou, de acordo com os ditames da Constituição, como uma República Federativa liberal, ou seja, com poder descentralizado, ofertando certa autonomia para os Estados federados (FAUSTO, 1999). Esse modelo era diferente do proposto pelos positivistas que estavam no poder, por meio dos militares, e que almejavam uma República centralizada. Houve, portanto, um “esfacelamento do poder central” (FAUSTO, 1999, p. 249). A Constituição estabeleceu a tripartição dos Poderes em Executivo, Legislativo e Judiciário; garantiu liberdades individuais e promoveu a separação da Igreja do Estado. Além disso, fixou o sistema de voto universal e direto, reconhecendo, no entanto, apenas como eleitores (para o fim de universalização) os homens maiores de 21 anos e que não fossem mendigos, analfabetos ou tivessem sentando praça como militares (FAUSTO, 1999). Desse modo, suprimiu-se o censo econômico como único fator responsável pela qualificação do eleitorado.

No entanto, os defensores desse liberalismo ainda estavam ligados às atividades agrárias, sobretudo na produção de café. Eram os chamados “coronéis”, títulos comprados da Guarda Nacional, e que além do status social, conferiam aos seus dignatários o poder político local. Como esses coronéis não queriam interferência do poder federal em suas regiões, pelejavam para que os poderes locais tivessem mais força do que o poder central, representado pela figura do presidente da República. Esse modelo político, no qual a classe dos produtores agrícolas, sobretudo dos cafeicultores, será detentora do poder – e o manterá a todo custo, com uso de fraudes eleitorais, clientelismo e violência – formará uma oligarquia. Por esse motivo, a historiografia chama a esse período de República Oligárquica, a despeito da incongruência dos termos. É esse modelo de “liberalismo” que vai se desgastar ao longo dos anos, pelos desmandos dos oligarcas e assistirá ao seu ocaso no primeiro ano da década de 1930, quando a conjuntura política e econômica suscitará um novo modelo de Estado.

De acordo com o historiador Boris Fausto, “um novo Estado nasceu após 1930, distinguindo-se do Estado oligárquico não apenas pela centralização e pelo maior grau de autonomia, como também por outros elementos” (FAUSTO, 1999, p. 327), dos quais destaca a atuação econômica voltada para a industrialização, a atuação social concernente na proteção aos trabalhadores urbanos e a um “papel central atribuído às Forças Armadas – em especial ao Exército – como suporte de criação de uma indústria de base e sobretudo como um fator de garantia da ordem interna” (FAUSTO, 1999, p. 327). Esse modelo de Estado se fazia necessário, frente à crise econômica mundial que se instalara a partir de 1929, conhecida como Crise ou Grande Depressão.

O enfrentamento da Crise, no entanto, irá por em cheque o modelo liberal, tanto do ponto de vista econômico, quanto político e, ainda, social. Será uma brecha enorme a implorar a intervenção do Estado na economia, esfacelando um dos princípios pétreos do liberalismo. Não é à toa que o historiador Eric Hobsbawn afirma que o colapso econômico entre as guerras foi de tamanho impacto político e econômico que “sem ele, com certeza não teria havido Hitler. Quase certamente não teria havido Roosevelt” (HOBSBAWN, 1995, p. 91). Em outras palavras, a Grande Depressão abriu portas para governos “fortes”, que realizaram intervenções – em maior ou menor medida – na economia a fim de “salvá-la” do colapso total. Desse modo, tal conjuntura “deixou a Europa Central pronta para o fascismo” (HOBSBAWN, 1995, p. 95), ao mesmo tempo em que permitiu uma nova concepção de ideologia capitalista como o New Deal proposto por Roosevelt, no qual o Estado foi um dos promotores – e talvez o principal – da recuperação econômica por meio da sua intervenção direta.

Antes de avançar, no entanto, parece ser o momento de se falar um pouco mais dos motivos da crise de 1929 e como ela se insere no modelo capitalista. Segundo Karl Marx, as crises são inerentes ao próprio sistema capitalista que por suas contradições internas insuperáveis geravam tais processos quase como espontaneamente. Dizia Marx que “na medida em que os capitalistas são obrigados [...] a explorar em maior escala meios de produção gigantescos já existentes e a por em movimento, para tal fim, todas as molas do crédito, nessa mesma medida aumentam os terremotos industriais, nos quais o mundo do comércio só se mantém sacrificando uma parte da riqueza, dos produtos e mesmo das forças de produção aos deuses da profundeza” (MARX, 1987, pp. 53 – 54). E sentencia, depois, o resultado disso: “Numa só palavra, aumentam as crises” (MARX, 1987, p. 54).

Nesse sentido, Hobsbawn afirma sobre as crises do capitalismo:


No passado, ondas e ciclos, longos, médios e curtos, tinham sido aceitos por homens de negócios e economistas mais ou menos como os fazendeiros aceitam o clima, que também tem seus altos e baixos. Nada se podia fazer a respeito: criavam oportunidades ou problemas, podiam trazer a prosperidade ou a bancarrota a indivíduos e indústrias, mas só os socialistas que, como Karl Marx, acreditavam que o ciclo fazia parte de um processo pelo qual o capitalismo gerava o que acabariam por se revelar contradições internas insuperáveis, achavam que elas punham em risco a existência do sistema econômico como tal (HOBSBAWN, 1999, p. 92).


Dentre as causas comumente apontadas para a Crise de 1929 estão a superprodução – e consequentemente a diminuição do consumo – e o livre mercado, ou seja, o princípio liberal de que o mercado não deveria sofrer interferência, eis que por suas leis inerentes ele mesmo se auto-regularia. Após o término da 1ª Guerra Mundial, os Estados Unidos apontaram como a grande potência econômica que não tivera seu território atacado. Os países da Europa que poderiam fazer frente ao poderio econômico estadunidense tiveram seus territórios arrasados pela Guerra. Isso proporcionou um crescimento econômico dos Estados Unidos que por ser o maior produtor de bens do planeta, atendia as demandas da Europa em reconstrução. Diante desse quadro, começaram a se desenhar os rascunhos da crise: impulsionados pela demanda européia e pelo crescimento do mercado interno, os Estados Unidos começou a produzir excessivamente. Para tanto, foi estimulada a compra de ações de empresas pelos cidadãos que viam com euforia a valorização desses papéis. Ocorre que ao final dos anos 20, a Europa começou a se recuperar e, como conseqüência, deixou de comprar paulatinamente os produtos estadunidenses.

Com isso, os produtos começaram a sobrar nos estoques e prateleiras e, com isso, as ações das empresas começaram a se desvalorizar drasticamente até o dia 24 de outubro de 1929, uma quinta-feira, quando ocorreu a Quebra da Bolsa de Valores de Nova Iorque, o estopim da Crise que logo se alastrou pelo restante do mundo, como seria de se prever numa economia baseada em relações comerciais entre nações.

De acordo com Karl Marx, independentemente das especificidades e do contexto, numa economia dependente do mercado mundial é de se esperar que haja uma crise de superprodução. Isso porque, segundo nos ensina Marx,


A enorme capacidade de expansão aos saltos do sistema fabril e sua dependência do mercado mundial produzem necessariamente produção febril e conseqüente saturação dos mercados, cuja contração provoca estagnação. A vida da indústria se transforma numa seqüência de períodos de vitalidade média, prosperidade, superprodução, crise e estagnação. A insegurança e a instabilidade a que a produção mecanizada submete a ocupação e, com isso, a situação de vida dos trabalhadores tornam-se normais com essas oscilações periódicas do ciclo industrial. Descontados os tempos de prosperidade, impera entre os capitalistas a mais intensa luta em torno de sua participação individual no mercado. Essa participação está em relação direta com a barateza do produto. Além dessa rivalidade, produzida por esse fato, no uso de maquinaria aperfeiçoada, que substitui a força de trabalho, e de novos métodos de produção, surge toda vez um ponto em que o barateamento da mercadoria é buscado mediante diminuição forçada dos salários abaixo do valor da força de trabalho (MARX, 1996, p. 86).


O que ocorre é que as especificidades do contexto de Pós-Guerra deram outro verniz para a crise de superprodução que, pela compreensão de Marx, é cíclica dentro do sistema capitalista. Admite, ainda, Marx que a superprodução de mercadorias não se distingue do excesso de capital. Para Karl Marx, “quando se diz que existe superprodução de capital fixo ou circulante, significa que as mercadorias não são tomadas aqui pura e simplesmente como tais mercadorias, mas em função do capital” (MARX, 1988, p. 15). Desse modo, seguindo essa lógica, “com este capital, por outro lado, se reconhece que, ao estudar a produção capitalista e seus fenômenos, por exemplo, o da superprodução, ainda não se trata das relações econômicas simples, em que o produto se apresenta apenas como mercadoria, mas sim das relações sociais, onde este produto aparece implicado e que fazem dele mais do que uma simples mercadoria e algo diferente desta” (MARX, 1988, pp. 15 – 16).

Dessa forma, a crise de 1929 não é exógena ao capitalismo. Ao contrário, nasce dentro do próprio sistema e tem a ver com o excesso de capital e, portanto, à superprodução de mercadorias.


A superprodução tem, em especial, como condição, a lei geral de produção do capital, que consiste em produzir na medida das forças produtivas, isto é, conforme for possível explorar a maior quantidade possível de trabalho com uma certa quantia de capital sem considerar a limitação do mercado e nem as necessidades solventes, suscetíveis de pagamento, realizando a reversão constante das rendas em capital, enquanto, por outro lado, a massa dos produtores obrigatoriamente se limita, conforme as bases da produção capitalista, à média fixada pelas necessidades (MARX, 1988, p. 56).


A Crise de 1929 abalou o mundo, eis que a economia estadunidense estava atrelada às dos demais países. O Brasil, por exemplo, sentirá a crise imediatamente porquanto sua economia estava calcada especialmente na exportação de café, do qual os Estados Unidos eram os grandes compradores. A Crise ainda colocará em xeque os preceitos do liberalismo, que se mostrou incapaz tanto de impedir a Crise como de administrá-la. Hobsbawn demonstra que a Crise econômica também foi uma crise na crença dos ideais do liberalismo.


A Grande Depressão confirmou a crença de intelectuais, ativistas e cidadãos comuns de que havia alguma coisa fundamentalmente errada no mundo em que viviam. Quem sabia o que se podia fazer a respeito? Certamente poucos dos que ocupavam Cargos de autoridade em seus países e com certeza não aqueles que tentavam traçar um curso com os instrumentos de navegação tradicionais do liberalismo secular ou da fé tradicional, e com cartas dos mares do século XIX, nas quais era claro que não se devia mais confiar (HOBSBAWN, 1995, p. 106).


Com as bases do liberalismo colocadas em dúvida, abriram-se espaços para o surgimento de governos autoritários, baseados no fascismo. Esse fenômeno político, caracterizado pela concentração de poder – e, portanto, em condições de direcionar a economia – se espalhará pela Europa, mas terá, também, vertentes similares em países de outros continentes, como foi o caso do Brasil, que gerou o Integralismo como a mais perfeita ideologia similar ao nazi-fascismo, bem como o Estado Novo getulista como governo ditatorial com liames fascistas.


... o fascismo, que a Depressão transformou num movimento mundial, e, mais objetivamente, num perigo mundial. O fascismo em sua versão alemã (nacional-socialismo) beneficiou-se tanto da tradição intelectual alemã, que (ao contrário da austríaca) se mostrara hostil às teorias clássicas de liberalismo econômico, transformadas em ortodoxia internacional desde a década de 1880, quanto de um governo implacável, decidido a livrar-se do desemprego a qualquer custo. Cuidou da Grande Depressão, deve-se dizer, rápida e de maneira mais bem-sucedida que qualquer outro (os resultados do fascismo italiano são menos impressionantes). [...] Mas à medida que crescia a maré do fascismo com a Grande Depressão, tornava-se cada vez mais claro que na Era da Catástrofe não apenas a paz, a estabilidade social e a economia, como também as instituições políticas e os valores intelectuais da sociedade liberal burguesa do século XIX entraram em decadência ou colapso (HOBSBAWN, 1995, p. 112).


Na década de 1930, Sorocaba era uma cidade que, a despeito de ser interiorana, possuía um expressivo número de colonos estrangeiros, especialmente italianos, espanhóis e alemães. Em 1931, por exemplo, existiam em Sorocaba cerca de 3000 italianos e 12000 espanhóis, numa população total de pouco mais de 65000 habitantes (CAVALHEIRO, 2010).

Parte expressiva desses estrangeiros era composta por operários (em 1931, as maiores fábricas de tecidos empregavam juntas quase 900 estrangeiros), sendo que muitos deles estavam associados a organizações anarquistas, socialistas ou comunistas, o que deu o apelido de “Moscou Brasileira” para Sorocaba. Em contraposição, estabeleceu-se o imaginário ideológico liberal com a cognominação de “Manchester Paulista”, diante de seu parque industrial formado por grandes tecelagens. No entanto, há uma terceira via que foi posteriormente invisibilizada diante do desprestígio das ditaduras e do nazi-fascismo após a 2ª Guerra Mundial. Sorocaba possuía várias organizações de extrema-direita ao longo da década de 1930, tendo em seus quadros políticos e cidadãos que, ao fim da onda fascista, vão se agrupar na ideologia liberal, sustentada especialmente pela forte presença da maçonaria na cidade. Essa terceira via, embora não se sugira aqui esta alcunha, poderia ter imprimido em Sorocaba o cognome de “Roma dos trópicos”.

De fato, desde o final da década de 1920 já havia na cidade uma representação do Partido Fascista Italiano, amplamente inserido na sociedade sorocabana, com sede num dos mais luxuosos e vistosos prédios locais.


Partido Nacional Fascista de Sorocaba

Na esplendida sede desta aggremiação partidária dos italianos que aqui residem, sita no Palacete Scarpa, e muito bem installada em amplo salão, realizou-se domingo ultimo, ás 16 horas, como foi annunciado a conferencia do illustrado jornalista dr. Leandro Galli, secretario do “Il Piccolo”, da capital.

O salão estava quase totalmente cheio de distinctas famílias desta cidade e muitos outros membros da colônia italiana, quando a hora aprazada o dr. Agostinho Fausto, que presidia a sessão, em breve discurso apresentou ao auditório o festejado escriptor.

Com a palavra, do dr. Galli discorreu durante cerca de cincoenta minutos sobre o Thema escolhido “Il Martire di Pola”, empolgando a assistência pela maneira brilhante como descreveu o heroísmo do grande capitão da marinha italiana Nazario Sauro, que depois de conduzir a esquadra de sua pátria a successivas victorias, foi aprisionado pelo inimigo, vindo a ser sacrificado em Pola, cidade que lhe ouviu as ultimas palavras: - Viva a Italia.

O orador foi muito applaudido, sendo bastante apreciada a sua conferencia (CRUZEIRO DO SUL, 13 abr 1927, p. 1).


Fica evidente o objetivo de insuflar o sentimento nacionalista – tão caro ao fascismo – quanto o de criar um clima de expectativa para um possível conflito, tendo em vista que Nazario Sauro foi um dos combatentes da 1ª Guerra Mundial, morto em 1916. Não se sabe exatamente a data de fundação da representação do Partido Nacional Fascista em Sorocaba. No entanto, levando-se em consideração que a notícia veiculada nos primeiros meses de 1927 dão conta de uma organização que não era novidade em Sorocaba, é de se supor que, pelo menos, tenha sido fundada por volta de 1926. Levando-se em consideração que o Partido Nacional Fascista Italiano tenha sido fundado oficialmente em 9 de novembro de 1921, a partir dos grupos conhecidos como Fasci Italiani di Combattimento, deve-se considerar que essa agremiação levou apenas 4 a 5 anos para atravessar o Oceano Atlântico e fazer morada numa cidade interiorana de São Paulo. Em novembro de 1927, o Partido Nacional Fascista de Sorocaba realizou um recital para a “culta sociedade” sorocabana, da soprano lírica italiana Lena Melly, considerada uma das mais destacadas artistas de sua época. Ainda em novembro, o mesmo Partido realizou uma comemoração da “Marcha sobre Roma”, episódio histórico no qual Mussolini convocou uma ampla manifestação fascista, como demonstração de força, para impor o governo fascista e por um fim a democracia liberal. A Marcha ocorreu em 28 de outubro de 1922, em Roma, com a presença de dezenas de milhares de manifestantes fascistas que marchavam pelas ruas da cidade exigindo o poder, o que forçou o rei Victor Emanuel III a nomear Benito Mussolini como chefe de governo (SASSOON, 2009).

Em 1926, o poder de Mussolini se tornara quase que absoluto, embora permanecesse uma aparência de governo constitucional.


Ao terminar 1926, o Duce podia orgulhar-se de dois anos de notáveis vitórias. Acabara a revolução; saltara todos os obstáculos e possuía poderes ditatoriais. Pela primeira vez, dominava completamente o Partido Fascista. Apenas o rei, que gozava do poder constitucional de nomear e demitir o chefe de governo, prendia-o ao sistema antigo. A diarquia, como Mussolini a chamava, era por vezes maçante, mas preservava a ficção de que a Constituição era respeitada; apesar de algumas questões ocasionais e diminuindo-lhe gradualmente as prerrogativas, Mussolini continuou a apoiar a Monarquia até o fim (FIGUEIREDO, 1973, pp. 68 – 69).


Aparentemente, após a concentração de forças, o Duce pretendia ter o apoio dos cidadãos italianos que residiam fora do território da Itália. Os milhares de colonos que viviam em países da América, por exemplo, parecem ter sido alvo dos interesses de Mussolini como forma de consolidar seu poder e de ampliar o apoio ao seu governo. Desse modo, é possível entender a função do Partido Nacional Fascista de Sorocaba, que promove eventos culturais e ideológicos como a exaltação da Marcha sobre Roma, como um “acontecimento de alta significação nos factos de sua história”, palestra explanada pelo jornalista Cesar Rivelli com o tema “Da fundação do fascismo à Victória sobre Roma” (CRUZEIRO DO SUL, 8 nov 1927, p.1) Ao término dessa reunião foi cantado o hino Fascista.

No final de 1930, aviadores fascistas italianos, pilotando hidroaviões, cruzaram o Oceano Atlântico, realizando um cruzeiro por diversos países da América, incluindo o Brasil. Sob o comando do general Ítalo Balbo, o evento foi entusiasticamente noticiado e aplaudido. Em telegrama, Balbo enviou mensagem aos membros da colônia italiana no Brasil dizendo que “Nenhum ser humano poderia vencer a força adversa ao oceano, sem a virtude fascista, que nos sustentou durante a travessia” (CRUZEIRO DO SUL, 13 jan 1931, p. 1). Essa propaganda do fascismo tinha claramente o objetivo de entusiasmar as colônias italianas dispersas em vários países, sobretudo na América. O clube social italiano de Sorocaba, “Circolo Italiano Gabrielle D’Annunzio”[2] realizou uma festiva noite de celebração ao feito dos aviadores fascistas, com a presença da Banda Carlos Gomes e discurso oficial sobre a façanha da esquadrilha italiana. Em telegrama enviado ao Rio de Janeiro, onde estavam os aviadores, o Circolo mandou o seguinte recado ao general Balbo: “Esultando vittoria ali italiane, ínvia fascisticamente forte ‘alalá’” (CRUZEIRO DO SUL, 13, 14 e 15 jan 1931, p. 1, 1 e 4).

Nessa época, entre os brasileiros, forma-se a Legião Revolucionária. Criada em 1931, essa organização, fruto da Revolução de 1930, era baseada nos “moldes fascistas”, de acordo com o escritor Eduardo Maffei (MAFFEI, 1984, p. 19). De fato, entre os membros sorocabanos dessa Legião, após a extinção desta, muitos se afiliaram à Ação Integralista, seção de Sorocaba (CAVALHEIRO, 2010). Os discursos da Legião Revolucionária exaltavam o patriotismo e os valores muito próximos aos do Integralismo.


Os fins da Legião são eminentemente patrióticos. Não se illuda o povo com a propaganda tendenciosa de adversários desleaes que tentam o desvirtuamento dos nobres ideaes que a guia. Move-os nessa campanha interesse opposto ao nosso alevantado propósito de batalhar pela grandeza do Brasil (CRUZEIRO DO SUL, 22 abr 1931, p. 1).


Instalada junto ao Esporte Clube Sorocabano, em prédio localizado na rua São Bento, centro de Sorocaba, a Legião Revolucionária tomou boa parte das páginas dos jornais locais durante o ano de 1931 para expressar suas idéias, convocar a ampliação de seus quadros e fazer propaganda de seu movimento.

Enquanto isso, o Partido Nacional Fascista – ou Fascio – continuava a promover bailes, reuniões sociais, esportivas e conferências de caráter altamente ideológico. Combatendo o liberalismo como doutrina carcomida e estéril, o fascismo local divulgava abertamente sua posição contrária, colocando-se como única alternativa viável para a sociedade. Colocava-se mesmo como uma doutrina internacional, revelando o objetivo de sua expansão para outros países, como o Brasil.


Il Fascismo, sia come dottrina statale, sia come dottrina Internazionale, é l’espressione e l’attuazione di quella GIUSTIZIA SOCIALE che fu in tutto secolo scorso l’aspirazione mai realizzata e dal liberalismo e dal socialismo.

Il Regime Fascista non sará mai uno strumento di reazione o uno sterile ritorno al cosidetto pensiero liberale, ma organizzazione sociale e statale in sono stati i suoi errori storici, organizzazione che segnera l’elevazione e la redenzione del lavoro manuale e intellettuale, e la trasformazione del sistema di produzione attuale nelle parti dimostratesi contrarie agli interessi della collettivitá (CRUZEIRO DO SUL, 8 ago 1933, p. 1).[3]


Essa foi parte do discurso do primeiro agente consular da Itália em Sorocaba, o qual, como autoridade, foi recepcionado por representantes do “nosso mundo official”, como o prefeito da cidade, coronel Ary Fonseca Cruz; o padre Zanola[4] que representou o Bispo, o delegado de Polícia dr. Pedro Alcântara entre outros. Isso demonstra que antes da eclosão da 2ª Guerra Mundial, o fascismo (e todas as formas de autoritarismo) não era mal visto pelos representantes oficiais. A ojeriza aos regimes totalitários de caráter fascista será uma construção que se realizará a partir da entrada do Brasil na Guerra, à despeito do Estado Novo continuar sendo um regime totalitário até o final do conflito.

Outro clérigo de origem italiana, Cônego Francisco Cangro, envidará esforços para constituir o Centro Operário Católico com o único objetivo de, por meio de conferências, “informar o nosso operariado acerca dos princípios dissolventes que se procura insinuar nos meios operários sob apparencias enganosas, nada merecendo, comtudo, não só pelo conflicto que esses princípios estabelecem com a fé e a moral, como ainda pelas conseqüências desastrosas delles decorrentes para a vida social” (CRUZEIRO DO SUL, 25 fev 1931, p. 1).

Os princípios “dissolventes” eram o anarquismo, o socialismo e o comunismo, que vinham orientando os operários sorocabanos há décadas na formação de suas organizações e movimentos reivindicatórios (CAVALHEIRO, 2010).

O Fascio local vinha realizando diversas atividades sociais, como já foi dito, voltadas ao esporte, ao lazer, a arte e ao entretenimento. Talvez por esse motivo, nos primeiros anos da década de 1930 tenha se formado um núcleo local da “Opera Nazionale Doppo Lavoro”, organização recreativa fascista. Conhecida como Dopolavoro, a entidade era uma alternativa de recreação, mas que se propunha a realizar um trabalho ideológico, para os italianos e seus descendentes radicados em Sorocaba. Dopolavoro, ou seja, “depois do trabalho”, ofertava uma gama enorme de atividades. Houve época em que entre fascistas e seus contrários ocorreu um conflito pela disputa da direção do “Círcolo Italiano”, o que deve ter estimulado, ainda mais, a fundação do “Dopolavoro” na cidade. As atividades recreativas, cívicas e sociais realizadas pelo Fascio passaram a ser organizadas pelo Dopolavoro. A comemoração da Marcha sobre Roma, por exemplo, ficou ao encargo do Dopolavoro, contando em seu programa com conferência realizada pelo padre Zanola (CRUZEIRO DO SUL, 21 out 1935, p. 1).

Em 1934 forma-se o núcleo da Ação Integralista em Sorocaba. A primeira reunião para a organização do núcleo local deu-se na sede do Fascio (CRUZEIRO DO SUL, 29 set 1934, p. 1). Não é coincidência apenas. Em verdade, demonstra claramente que havia uma intersecção ideológica entre o fascismo e o integralismo, embora este último dissesse que “o integralismo não é hitlerismo, nem fascismo!” (CRUZEIRO DO SUL, 17 set 1937, p.1).

Os integralistas sorocabanos foram protagonistas de meetings, de realização de reuniões, palestras e conferências, participaram como candidatos nas eleições de 1936; realizaram espancamentos de adversários e tiveram um comício dissolvido à bala, pelos comunistas, na praça central “Coronel Fernando Prestes” (CAVALHEIRO, 2001; 2010). Assim como os fascistas italianos, os integralistas se preocupavam com a cultura física e com as atividades recreativas. Em 1936, os integralistas formaram um grupo de instrução para funcionamento regular de “aulas de cultura physica para a preparação de athletas do sigma”, tendo organizado ainda “o quadro integralista de futebol” (CRUZEIRO DO SUL, 02 maio 1936, p. 2).

Em uma das conferências promovidas pela Ação Integralista de Sorocaba, um jornalista paranaense, Jorge Lacerda, proferiu uma palestra com o tema “A fallencia da liberal-democracia”. Ao final da reunião, cantou-se o Hino Nacional “entoado por todos os presentes, e com enthusiasticos anauês, houve a cerimônia de juramento de 9 novos integralistas” (CRUZEIRO DO SUL, 14 jul 1936, p. 1).

O integralismo combatia a maçonaria e o comunismo, procurando associar as duas doutrinas ao “judaísmo”. Esse sentimento antissemita aproximava ainda mais o integralismo do nazismo alemão. “Sorocaba precisa affirmar a sua fé nas energias Moraes do povo brasileiro, attendendo ao appello da pátria ameaçada pelos invasores vermelhos”, dizia uma publicação no jornal local. Continuava a nota, emitida pelo Secretário Municipal de Propaganda, que “contra o communismo, pois, ergamos mais uma barreira instransponível, representada por um milhão de camisas-verdes” (CRUZEIRO DO SUL, 8 ago 1936, p. 4).

Em outro momento, os integralistas de Sorocaba publicaram em jornal: “a Liberal Democracia, com seus partidos políticos, é cópia de coisa francesa, porquanto é fructo da Revolução Francesa, forjada pelo judaísmo nas lojas maçônicas” (CRUZEIRO DO SUL, 17 set 1937, p. 1).

Repetindo o mesmo discurso, que também já havia sido proferido pelos fascistas italianos, os integralistas de Sorocaba diziam que “a liberal democracia é o regime da luta estéril. No campo político, luta entre os partidos: opposicionista e governista; no campo econômico, lucta entre o capital e o trabalho; no campo social, luta de classes: burguesia e proletariado” (CRUZEIRO DO SUL, 3 out 1937, p. 2).

Entre os membros da colônia espanhola, formou-se em Sorocaba em 1936, a partir da eclosão da Guerra Civil Espanhola, uma organização chamada Falange Nacionalista, escancaradamente pró-Franco. Os “franquistas” da Falange arrecadavam numerários para a guerra, bem como promoviam o alistamento daqueles que quisessem combater ao lado das forças fascistas do general Franco. Mas seu papel não ficava só nisso. Com a cooptação do agente consular espanhol de Sorocaba, a Falange Nacionalista publicava extensos informes sobre a Guerra, de acordo com o seu ponto de vista (CAVALHEIRO, 2010).

Importante ressaltar que em todas essas organizações de caráter fascista na cidade de Sorocaba havia em seus quadros pessoas de reconhecido prestígio social, sendo que posteriormente ocuparam cargos públicos – até à frente da Prefeitura – e hoje são nomes de ruas e possuem bustos e monumentos em espaços públicos.

No entanto, após a instalação do Estado Novo, que suprimiu todos os espaços de participação política, transformando-os em monopólio estatal, tais personalidades velaram o seu passado, filiando-se a instituições que antes combatiam, como a liberal democracia e a maçonaria.

A memória, como construção coletiva e ideológica, está mais proximamente ligada à percepção de uma comunidade em relação à sua própria identidade do que com a análise crítica de fatos e dados a que supostamente se reporta.

Como referencial simbólico, a memória cumpre seu papel de amalgamar todo um conjunto de indivíduos que se reconhecem como partícipes daquela identidade construída não só com informações históricas, mas, também com tradições (ainda que inventadas), lendas, símbolos, etc.

Por ter esse caráter ideológico, a memória pode servir tanto para a manutenção do status quo quanto para a emancipação do homem (LE GOFF, 1996). Tudo dependerá da intencionalidade de quem auxiliar na construção dessa memória. O nome de uma rua proposto por um edil, por exemplo, pode servir para enaltecer um baluarte da industrialização – e, portanto, do capitalismo – , quanto a figura de alguém que lutou contra o mesmo capitalismo.

A pergunta que paira no ar é essa: se parte daqueles que se tornaram ícones do “liberalismo” sorocabano do século XX estiveram filiados antes em organizações fascistas, qual é, de fato, a orientação ideológica dessas personalidades?

Independentemente da resposta, no entanto, o que sobressai é que nos momentos de crise econômica e política, em que a democracia liberal é questionada, nesses momentos é que as máscaras caem e aqueles que escondiam suas tendências fascistas se mostram descaradamente. Nesse sentido, a crise que se alastra do campo econômico ao político tem como condão o poder de revelar de qual lado estão aqueles que detêm o poder.

Com a Crise de 1929 e a impotência da democracia liberal frente aos problemas desencadeados, abriu-se brechas para o florescimento de governos fascistas e autoritários e, em conseqüência, para organizações que disseminassem tais ideologias. Essas organizações responderam aos anseios de significativa parte da população – e das classes dominantes – para se afiliar ao fascismo. Assim foi em Sorocaba, a “Manchester Paulista”, a “Moscou Brasileira” e, por que não?, a “Roma dos Trópicos”.









BIBLIOGRAFIA


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CARVALHO, Rogério Lopes Pinheiro de. Fisionomia da cidade. Cotidiano e transformações urbanas. 1890 – 1943. São Paulo: Biblioteca 24 horas, 2010.

CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Salvadora!. Sorocaba: Crerte, 2001.

___________________________. Memória Operária. Sorocaba: Crearte, 2010.

FAUSTO, Bóris. História do Brasil. São Paulo: EdUSP, 1999.

HOBSBAWN, Eric. Era dos Extremos – O breve século XX. 1914 – 1991. São Paulo: Companhia das Letras, 1995.

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LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp, 1996.

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MARX, Karl. O Capital (Vol. II). São Paulo: Círculo do Livro, 1996.

_________. As crises econômicas do capitalismo. São Paulo: Editora Acadêmica, 1988.

_________. Trabalho Assalariado e capital. São Paulo: Editora Acadêmica, 1987.

SASSOON, Donald. Mussolini e a ascensão do fascismo. Rio de Janeiro: Agir, 2009.


[1] O termo é emprestado do historiador Eric Hobsbawn (1984) [2] Apesar do patrono do clube ser um reconhecido poeta entusiasta do fascismo, o nome e a fundação do clube se deram antes mesmo da existência do fascismo, em 6 de janeiro de 1918. Os Fasci Italiani surgiram um ano depois, em 1919. [3] Pode-se traduzir, mais ou menos, assim: “O Fascismo, seja como doutrina estatal, seja como doutrina Internacional, é a expressão e atualização daquela JUSTIÇA SOCIAL que foi em todo século passado, a aspiração mais almejada do liberalismo e do socialismo. O Regime Fascista não será mais um instrumento de reação ou um estéril retorno ao chamado pensamento liberal, mas a organização social e estatal estavam em seus erros históricos, organização que marcará a elevação e a redenção do trabalho manual e intelectual, e a transformação do sistema de produção atual demonstrou contrário aos interesses da coletividade”. [4] Esse padre, de origem italiana, possuía estreitos contatos com o Fascio local.

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