• CMOS

Quando o tear ronca mais alto: representações da mulher trabalhadora no jornal O Operário

Carlos Carvalho Cavalheiro

10.12.2015


A cidade de Sorocaba, no interior paulista, conquistou o epíteto de Manchester Paulista, nos primórdios do século XX, de modo a fixar um conceito de modernidade industrial que atendia aos anseios das classes dominantes daquela época. Obviamente, a alcunha não era de todo gratuita e quando foi consolidada, a cidade possuía um importante – e interessante – conjunto de fábricas têxteis de grande porte, todas em estilo arquitetônico inglês, o que imprimia nas consciências uma melhor aceitação da analogia com a cidade industrial inglesa.

A Manchester Paulista converteu-se, então, num símbolo de modernidade e de progresso, velando com seus discursos otimistas o outro lado da moeda: a difícil situação de vida dos milhares de operários das fábricas. Significativa parte desse operariado era composta por mulheres e crianças que sofriam jornadas intensas de trabalho, mas percebiam salários muito menores que o dos homens. Os operários, influenciados por ideias socialistas e anarquistas, começam a se organizar em movimentos reivindicatórios e, num esforço conjunto, conseguem lançar um jornal de vida breve, mas muito expressivo porquanto tenha sido quiçá o único veículo de comunicação de massa à disposição dos trabalhadores naquela época.

O jornal “O Operário” nasceu em 18 de julho de 1909 com a proposta de ser um órgão de defesa da classe operária, mostrando que “o regimen do obscurantismo, neste paiz concretisado no regimen dos caçadores de índios e dos Capitães-móres, não pode subsistir, nem reviver sob uma sujeição de nova espécie” (O OPERÀRIO, 18 jul 1909, p. 1). O trecho em questão revela um embate entre duas visões de mundo, ou melhor, de duas memórias que se digladiam: a das classes dominantes, representadas aqui pelos símbolos do bandeirantismo – afinal, Baltazar Fernandes, fundador de Sorocaba, era um bandeirante – e os operários que se associaram simbolicamente ao povo oprimido, aos índios caçados ou a população paupérrima que se subjugava às ordens do Capitão-Mor. Nesse gradiente de hierarquias, é preciso ter nítido que, naquele contexto de início do século XX, entre os trabalhadores em condições piores estavam as mulheres e, abaixo delas, as crianças que percebiam menores salários pela mesma tarefa realizada pelos homens, mas, também, sofriam violências diversas que iam desde agressões físicas e verbais até estupros ou coação para a prática de relações sexuais com mestres, contra-mestres e gerentes em troca da manutenção do posto de trabalho (CAVALHEIRO, 2001; 2010).

Interessa a este trabalho desvelar, por meio da análise dos discursos, o que restou de memória das mulheres trabalhadoras de Sorocaba e, sobretudo, qual era a imagem que se tinha das operárias partindo do ponto de vista dos movimentos reivindicatórios dos operários. Quais eram os destaques dados às mulheres nesse periódico? Em quais momentos e de que forma as mulheres apareciam nesse jornal? Há espaços dentro desse órgão de imprensa que demonstre o protagonismo das mulheres? Qual era, de fato, a imagem que se construiu da mulher operária dentro desse jornal? Quais os silenciamentos produzidos no culto da memória operária em relação às mulheres?

Essas são apenas algumas das perguntas que uma análise mais acurada dos discursos publicados no jornal “O Operário” pode esclarecer. Como material de consulta, optou-se pela edição fac-similar produzida em 2007, pelo historiador Rogério Lopes Pinheiro de Carvalho, pela facilidade da consulta e pela credibilidade do material em relação à fidelidade e preservação da informação de acordo com o original.

A escolha pela temática da mulher operária sorocabana se deve, em boa medida, pelo incômodo que causa o silêncio da historiografia sorocabana em relação a essas atrizes sociais. Não, de fato, nenhum trabalho, até o presente momento, que trate especificamente do caso da mulher operária em Sorocaba. Por ser essa uma cidade de importante passado fabril, que lhe conferiu o epíteto de “Manchester Paulista”, por conta do seu parque industrial, a história do operariado requer atenção, ainda mais quando se trata especificamente do operariado feminino. Talvez, sobre alguma esperança de que a rememoração desses fatos passados possa auxiliar, de alguma forma, na compreensão do presente e aponte alguma luz sobre a obscuridade que se avoluma nesses tempos de agora. Ao menos essa é uma d que impulsiona o historiador a revirar os escombros do passado na busca dos resquícios, daqueles vestígios deixados como pistas para a próxima geração. Walter Benjamin ensina que “o dom de despertar no passado as centelhas da esperança é privilégio exclusivo do historiador convencido de que também os mortos não estarão em segurança se o inimigo vencer” (BENJAMIN, 1987, pp. 224 – 225).

Em tempos em que se olha com desconfiança a tudo o que possa simbolizar uma pretensa inclinação “à esquerda”, é preciso recuperar parte da história dos trabalhadores pela conquista dos seus direitos, mas, sobretudo, a história da construção de suas organizações e as estratégias que foram utilizadas na luta de classes.

É importante ressaltar que esta análise é feita por um homem, que viveu o final do século XX e olha esses relatos com os pés no século XXI. Apesar de parecer sem maior importância, é necessário que se saiba quem diz e de qual lugar se fala, pois daí decorre a forma como a análise será realizada.

“Articular historicamente o passado não significa conhecê-lo “como ele de fato foi”. Significa apropriar-se de uma reminiscência, tal como ela relampeja no momento de um perigo” (BENJAMIN, 1987, p. 224). Ainda que o exercício constante de abstração permita alcançar – ou ao menos tenha esse objetivo – as fronteiras do fato como produzido em sua época, por outro lado tem-se ciência de que essa visão nunca será perfeita, nunca remeterá ao que ocorreu exatamente. Nem esse é o objetivo, mas sim produzir uma memória que esteja no subterrâneo, para usar uma expressão cara a Michael Pollak, e fazê-la emergir de alguma forma, a fim de que se possa proporcionar uma crítica à “memória oficial”, contribuindo para a emancipação das pessoas (LE GOFF, 1996). Como bem explicita Pollak, “Uma vez que as memórias subterrâneas conseguem invadir o espaço público, reivindicações múltiplas e dificilmente previsíveis se acoplam a essa disputa da memória [...]” (POLLAK, 1989, p. 5).

Essas memórias em disputa podem revelar as diferentes visões de mundo, mas também revelar os silenciamentos, as vozes que foram caladas ou sufocadas. No caso em tela, considerando que a maioria das operárias sorocabanas dos primeiros anos do século XX eram tecelãs, há de se perceber o simbolismo do tear em funcionamento, como a voz do patronato, calando, sufocando, diminuindo as vozes das mulheres trabalhadoras. Nesse sentido, a recuperação dessas histórias pode colaborar para a construção de uma memória que, por sua vez, “pode despertar pontos de vista calados pela visão oficial do mundo” (GONÇALVES FILHO, 1992, p. 62).

Dentro dessa lógica de conflito e de luta, entre dominados e dominantes, entre os desfavorecidos e os detentores de poder, não há espaço para se crer que exista apenas uma única memória, mas sim memórias em disputa. No entanto, algumas dessas memórias, as que possuem menos condições de existir, aquelas que não estão atreladas aos detentores de poder, tendem a não serem ouvidas, ou melhor, são abafadas e silenciadas. Pollak diz que há muitas razões para o silêncio. Muitas vezes de ordem política, por receio da violência da reação, mas, também existem razões pessoais “que consistem em querer poupar os filhos de crescer na lembrança das feridas dos pais” (POLLAK, 1989, p. 8). Por outro lado, tais silêncios podem ser rompidos “no momento em que as testemunhas oculares sabem que vão desaparecer em breve, elas querem inscrever suas lembranças contra o esquecimento” (POLLAK, 1989, p. 8).

Além disso, as pessoas idosas arvoram-se em guardiões do conhecimento do passado. São elas que detêm, como testemunhas oculares e, muitas vezes, protagonistas, a informação de um fato que passou, que ficou esquecido e empoeirado por tempos, até ser suscitado por um chamado, por uma voz do momento atual. Afinal, “é do presente que parte o chamado ao qual a lembrança responde” (BOSI, 1994, p. 48).


Como, então, os homens idosos não se interessariam apaixonadamente por esse passado, tesouro comum de que se constituíram depositários, e não se esforçariam por preencher, em plena consciência, a função que lhes confere o único prestígio que possam pretender daí em diante? (BOSI, 1994, p. 63).


Neste caso, no entanto, não são lembranças de velhos que servem como matéria-prima para a elaboração da memória, mas os relatos escritos num jornal que se propunha a combater pela melhoria das condições dos operários. Já não são mais vozes que possam ser acessadas, de guardiões do passado, de griots urbanos. Essas vozes jazem silenciadas para sempre. Porém há ainda algo que possa ser recuperado nessa visita à fonte do passado, ao jornal que se colocava em “defesa da Classe Operária” de Sorocaba naqueles longínquos anos do início do século XX.

A seleção das publicações desse jornal levou em consideração os seguintes critérios: 1) relevância da publicação ao escopo do trabalho, ou seja, a mulher operária sorocabana; 2) publicações que trouxessem referenciais à imagem que se tinha da mulher operária naquele contexto histórico; 3) Textos publicados e assinados por mulheres ou, ainda, que fizessem referência a mulheres como produtoras de pensamento, com o intuito de rastrear um possível protagonismo – esperado num jornal que defendes posições que chamaríamos hoje de progressistas – das mulheres trabalhadoras.

As colunas do jornal “O Operário” eram franqueadas a todos os oprimidos (assim o diziam suas divisas durante certo período de sua existência. De fato, há em suas publicações a exposição de ideologias diversas e que, possivelmente, naquela época estivessem mais próximas umas das outras do que nestes tempos hodiernos. Desse modo, há no jornal a defesa de posicionamentos dentro do viés socialista, anarquista, anarcossindicalista, liberal (com apelos para a Liberdade, Igualdade e Fraternidade), até algo próximo dos jacobinos da República Velha. Havia, ainda, publicações de temas caros à maçonaria, ao espiritismo e até ao ocultismo, lembrando que tais doutrinas, naquele contexto histórico, flertavam em parte com o socialismo utópico.

No primeiro número do periódico analisado, há uma longa descrição sobre os motivos do aparecimento do jornal, da necessidade da classe operária em ter um órgão de imprensa em sua defesa e das extensas demandas do operariado frente aos desmandos do patronato. Em determinada parte dessa explanação aparece um trecho falando sobre a mulher. O mais interessante é que a mulher aparece associada à criança trabalhadora, denotando que as condições de trabalhos destes dois eram piores que a dos homens adultos.


Fôra ridículo pretender, e muito mais assoalhar, que dentro das fábricas da industria sorocabana corre uma atmosphera paradisíaca, cortada ou repassada de hymnos festivos: existe ahi uma turba de mulheres e crianças. Onde há crianças e mulheres, obrigadas ao trabalho diário, continuado, para ganhar o pão, há igualmente penosos soffrimentos, phenomenos anormaes de ruínas physicas precoces, de risco immanente e crescente ás porvindouras gerações pobres: o trabalho nem sempre é commedido e adaptado á economia de taes creaturas, desmarcando-se [sic] aqui e alli, em brutalidades e asperezas, que precisam ser contidas, ou por uma nova orientação de iniciativas particulares, ou por iniciativa do poder público, que tem, também, obrigações attinentes a vigiar e a premunir a saúde das camadas populares tão escurecidas por numerosos problemas afflictivos da, apparentemente brilhante, existência da sociedade contemporânea (O OPERÁRIO, 18 jul 1909, pp. 1 – 2).


Curiosamente, há explícito um entendimento de que a constituição física das mulheres – e também das crianças – não era compatível com a realização do mesmo trabalho destinado aos homens. No entanto, no próprio discurso se depara com a crença de que as instituições, como o poder público, poderiam agir de modo a evitar que o trabalho penoso pudesse causar às mulheres “ruínas physicas precoces”. Pelo texto é possível subentender também que os homens adultos não eram passíveis de sofrerem “brutalidades e asperezas” como as mulheres e crianças. Se não, ao menos tais comportamentos poderiam ser suportados pelos homens que possuíam uma constituição física – e talvez, emocional – diferenciada das mulheres e crianças, conforme pensavam naquela época, pelo que se depreende da leitura do texto.

Nos números subseqüentes e por um bom tempo, perduraram denúncias contra abusos e violências praticados por mestres, contra-mestres e gerentes contra operárias e crianças.

Na quinta edição do jornal aparecem estampadas em primeira página notícias com manchetes “Violencias de gerente” e “Contra Mestre Espancador”. A primeira notícia dava conta do gerente da Fábrica N. S. da Ponte, a primeira grande tecelagem da cidade, que obrigava os trabalhadores daquela empresa a pagar parte de seu salário em benefício da Santa Casa de Misericórdia. Dizia a nota, adiante que “todos sabem que há famílias inteiras ali, como nas outras fabricas, que trabalham; ganhando as mulheres e as creanças minguados tostões diariamente. Dahi o absurdo dessa generosidade do Snr. Cognasca, de fazer donativos com dinheiro alheio, sem auctorisação dos respectivos donos” (O OPERÁRIO, 26 set 1909, p. 1).

Verifica-se, pelo exposto, que os salários recebidos pelas mulheres eram “minguados”, ou seja, bem menor do que o recebido pelos homens. Essa situação perdurará por muito tempo e há estudos e estatísticas que confirmam que em alguns casos a mulher ainda continua recebendo menores salários em relação aos homens, mesmo realizando o mesmo trabalho.

O 3º Congresso Operário do Brasil, de orientação anarquista e anarcossindicalista, realizado em 1920, ainda discutia tais assuntos, aprovando a seguinte moção:


“As Operárias” – O “3º Congresso Operário”, confirmando as resoluções do 1º Congresso quanto à situação do elemento feminino no meio proletário, aconselha vivamente as associações obreiras a se esforçarem para interessar diretamente as operárias na vida sindical, preocupando-se com a sua educação social e intelectual e, para que se estabeleça no trabalho um ambiente de respeito, repelindo as brutalidades dos patrões e encarregados de serviços; intensificando-se a campanha no sentido de que para elas seja abolido o trabalho nocturno e os seus salários sejam equiparados aos dos homens (RODRIGUES, 1979, p. 170).


O Primeiro Congresso Operário, a que se reporta a citação acima, ocorrido em 1906, ressentia-se da falta de mulheres nas organizações operárias, apelando aos sindicatos para que envidassem os esforços no sentido de promover a afiliação das mulheres junto aos sindicatos, como estratégia de combate à sociedade burguesa, mas também como fortalecimento da luta operária.


O “Primeiro Congresso Operário Brasileiro”, insistindo na necessidade de organização das operárias em sindicatos, convida e incita os sindicatos operários a envidar todos os esforços para organizar as mulheres e torná-las companheiras na luta, abolindo a concorrência que fazem, aliás ocasionada pela exploração burguesa, a qual paga pouco e exige muito; e, quanto aos aprendizes, o Congresso aconselha aos operários que não mandem seus filhos para oficinas ou fábricas, senão quando eles tenham atingido a idade conveniente (RODRIGUES, 1979, p. 111).


Outra resolução do Congresso de 1906 que muito interessa a este trabalho é relativo à educação promovida pelos próprios operários, com a fundação de escolas direcionadas aos interesses do proletariado. Isso nos interessa porque em Sorocaba, como se verá ao longo deste texto, serão fundadas escolas “Modernas” ou “Racionalistas”, com a pedagogia proposta por Francisco Ferrer, na qual aparecem adolescentes e moças operárias como alunas. Pouco se sabe sobre tais escolas e pelo escasso material publicado no jornal “O Operário”, o que se pode fazer é tentar, a partir da comparação das informações com a pedagogia de Ferrer, rastrear como se deve ter dado essa educação e que implicações pode ter ocasionado à vida dessas mulheres. A Resolução do Congresso Operário tinha claramente a percepção de que “o ensino oficial tem por fim incutir nos educandos idéias e sentimentos tendentes a fortificar as instituições burguesas e, por conseguinte, contrárias às aspirações de emancipação operária”, e que por esse motivo, o Congresso aconselhava “aos sindicatos operários a fundação de escolas apropriadas à educação que os mesmos devem receber, sempre que tal seja possível; quando os sindicatos não puderem sustentar escolas, deve a Federação local assumir o encargo (RODRIGUES, 1979, p. 109).

A segunda nota do jornal “O Operário”, sobre o “contra mestre espancador” diz sobre fatos ocorridos diariamente na Fábrica Santa Maria onde o contra-mestre costumeiramente espancava os menores aprendizes. Não há uma dissociação entre “meninos” e “meninas”, mas sabendo que um significativo número de trabalhadores era composto de mulheres, é de se esperar que houvesse entre os aprendizes um número elevado de meninas.

Em outras edições, o jornal continua a denunciar as “immoralidades de gerente” da Fábrica de Tecidos N. S. da Ponte, “que, na sua costumeira posição de conquistador violento, tem levado a deshonra no lar da família que vive dos seus pequenos ordenados, e que além de tudo fica sujeita à apreciação leviana dos maldizentes” (O OPERÁRIO, 24 out 1909, p. 1). Os anos passavam e as atitudes dos mestres, contra-mestres e gerentes em relação às operárias não modificavam, à despeito das denúncias do jornal “O Operário”. Em 1912, uma operária “retirou-se da fábrica Fonseca[1], por não supportar as propostas indecorosas que lhe dirigia o mestre da fabrica que além de perder-lhe o respeito, a qualificava de orizontal” (O OPERÁRIO, 11 ago 1912, p. 2). O jornal se lamentava de não haver ninguém que defendesse a honra da operária, nem desse “uma licção ao atrevido mestre da fabrica”, chamando a atenção para o comportamento conivente dos próprios operários: “Oh, que solidariedade ridícula d’este operariado!”. Em outras oportunidades, o jornal deixava transparecer que essa falta de solidariedade se dava diante de um “moralismo” que não admitia que as operárias cedessem aos instintos libidinosos dos encarregados. Mesmo no caso acima, no qual aparentemente a operária não cedeu às propostas do mestre da fábrica, o testemunho do homem de que ela era uma “horizontal”, eufemismo para meretriz, parece ter tido mais valor do que o da mulher. Afinal, embora todos os sinais apontassem para outro lado, o que parece ter prevalecido é a afirmação do mestre em relação à honra da mulher. Ainda que seja incongruente pensar que, sendo ela uma “horizontal”, mesmo assim abandonasse a fábrica – e com isso o seu próprio sustento – foi essa a versão que permaneceu.

Edgar Rodrigues, historiador pioneiro do operariado brasileiro, trouxe alguns depoimentos que demonstram que os assédios de mestres e gerentes eram constantes e não se restringiam a Sorocaba. Num desses depoimentos colhidos por ele, um operário de alfaiataria informou que “os apetites bestiais dos mestres encontravam oportunidade de serem saciados, às vezes sob ameaça, quando os prejuízos eram causados por moças” (RODRIGUES, 1979, p. 204). Esses prejuízos se relacionavam a enganos que cometiam, estragando o pano. Em seguida, o depoente diz que “muitas delas, pela necessidade e pelo medo, se prostituíram” (RODRIGUES, 1979, p. 204). Em outro depoimento, fica explícito que os mestres, além de seduzirem as mulheres, espancavam os aprendizes e moças (RODRIGUES, 1979, p. 212). O depoimento mais contundente foi dado em relação a um mestre de uma fábrica do Bangu:


Mestre Cláudio Batista fechava moças no escritório para forçá-las à prática sexual. Muitas operárias foram prostituídas por aquele canalha! Chegava a aplicar punições de 10 a 15 dias pelas menores faltas, e até sem falta, para forçar as moças a cederem aos seus intentos. Quando não era isto, colocava-as em máquinas ruins, dando-lhes fio com defeitos para dificultar-lhes a produção. [...]

Os operários que faziam parte do Sindicato estavam sempre sob ameaça. As mulheres sindicalizadas eram consideradas meretrizes, ou pior do que isto: eram vistas como seres repugnantes.

O próprio mestre que infelicitou tantas moças, proibia que se trabalhasse com blusa decotada, manga curta e larga, saia acima do tornozelo um palmo; a roupa tinha que ser presa no pescoço, nos pulsos e a saia roçando o chão, para atestar a “moral” que ele não tinha (RODRIGUES, 1979, p. 214).


A pretensa “moral” escorada na aparência, no uso de vestimentas “adequadas”, esconde de fato a imoralidade da coerção e do assédio que sofriam as mulheres trabalhadoras no tocante a aceder com os instintos libidinosos de seus “superiores”. A hipocrisia reinava dentro dos galpões das fábricas. No entanto, o que emerge é o sentimento de que a mulher era pouco mais do que uma “coisa” que produzia lucro ao patrão vendendo sua força de trabalho e, também, saciava a libido de quem pudesse, pelo posto e cargo que ocupava, exigir dela essa satisfação. A prática, como se vê, era comum tanto em cidades de grande porte como era a capital do país, o Rio de Janeiro, quanto cidades interioranas como é o caso de Sorocaba.

Desnuda não somente uma prática calcada no desprezo burguês pelas classes subalternas, mas, sobretudo, por uma visão de que a mulher era social e biologicamente inferior ao homem e que, portanto, servia para ser explorada, humilhada e ultrajada.

Outros dois textos curiosos extraídos do jornal “O Operário” são assinados por mulheres, o que demonstraria um protagonismo feminino. Os dois artigos, entretanto, marcam posições diferentes o que pode induzir à crença de que o discurso feminista, em Sorocaba, nos meios operários, ainda não estivesse afinado. O primeiro tem como título “A greve dos ventres” e inicia dizendo:


Que importa a linguagem de Malthus, João Baptista Say, Thiers, Ricardo, etc?... A sociedade actual assenta sobre uma base justa, afirmam esses escritores burgueses; a miséria é um mal inevitável; aquelle que é condenado a morrer de fome deve aceitar a sua sorte sem murmurar.

Nós, porém, dizemos: “Todos os seres têm o mesmo direito à vida, à felicidade; a ordem social actual que não assegura a cada um o livre exercício de suas faculdades é portanto má e deve ser derrubada (O OPERÁRIO, 30 jan 1910, p. 2).


Contra a continuação das explorações, o artigo propunha uma “greve dos ventres” com o fim de diminuir o número de filhos ou mesmo de não ter filho algum para que se pudesse dedicar o trabalhador à sua obra de emancipação revolucionária:


Entre os meios que nos permitem desenvolver bastante as nossas forças fisiológicas e intelectuaes para dar o ultimo passo da emancipação e agir pronta e seguramente, vemos ao lado do aumento de salário e da redução de horas de trabalho manual, “a greve dos ventres” (Podendo toda cessação de trabalho, trabalho procriador ou outro qualquer, podendo toda greve ser intermitente, por “fazer a greve dos ventres” intendemos tanto ter poucos filhos como não ter nenhum).

Não temos certamente intenção de sovar os que procriam o mais que podem, mas cremos que os encargos familiares excessivos impedem que muitos explorados se façam revolucionários, visto que, mesmo não sendo irrisório o salário, bem dificilmente acha então o trabalhador tempo e recursos bastantes para tomar consciência dos seus direitos pela leitura, pela discussão, nas reuniões públicas; visto que, ainda que o pae consiga emancipar-se, a mãi, sempre metida em casa e não tendo um só instante para reflectir, não póde abandonar as suas idéias cobardes, estreitas, mesquinhas e obriga, com as suas lagrimas, ou censuras mais ou menos amargas, o marido ou o amante a calar as suas opiniões e a renunciar à revolta (O OPERÁRIO, 30 jan 1910, p. 2).


O artigo, publicado em duas partes, foi assinado por Joana Dubois, de quem não se encontrou nenhuma referência, mas que pelas informações expostas no artigo, parece ser uma feminista, muito bem informada acerca dos pensadores que embasavam a ideologia burguesa da época, bem como muito bem articulada em seus argumentos, muitos dos quais se nos apresenta com um discurso avançado e inovador até para os dias atuais. O texto apresenta uma proposta que vai contra o discurso clerical de família, bem como contra os valores da família burguesa. É bem provável que Joana Dubois não fosse de Sorocaba, o que pouco importa para a análise deste artigo. Basta que o jornal tenha se interessado em divulgar suas idéias para que suscite o interesse desta análise. Afinal, havia uma clara intenção de formar uma opinião acerca de como se devia comportar o revolucionário e, especialmente, a mulher revolucionária.

Atente-se para o fato de que Joana Dubois, de certa forma, desloca o protagonismo da luta revolucionária para a mulher. Era ela, e somente ela, quem poderia desencadear a greve dos ventres. Por outro lado, a mesma Dubois apresenta a mulher como um ser suscetível a histerismos, que possui idéias “covardes, estreitas e mesquinhas” e que com chantagem ou desequilíbrio emocional, vai às lágrimas para convencer ao homem a abandonar a luta. Ao mesmo tempo em que entrega nas mãos da mulher o papel principal no desencadeamento da revolução, Joana Dubois afirma que a mulher é a primeira a colaborar com a manutenção da ordem burguesa!

Joana Dubois continua sua explanação, no número seguinte, com esta afirmação sobre a necessidade do controle de natalidade:


... num meio libertário, se praticasse a procriação inconsiderada, creio que então se notaria a importância social contida na limitação voluntária dos nascimentos, embora fosse apenas sob o ponto de vista da educação. Para fazer seres capazes de respeitar e de favorecer a liberdade dos outros no trabalho, no amor, na procriação, para fazer seres sabendo compreender a felicidade alheia, sabendo medir o alcance dos actos próprios sobre a sociedade, não é demais toda a vigilância sobre a criança. Donde a necessidade social, ainda quando for uma realidade o nosso ideal, de não gerar todas as vezes que a natureza o permitir (O OPERÁRIO, 6 fev 1910, p. 2).


De fato, as propostas de Joana Dubois, de controle de natalidade, ainda que numa sociedade revolucionária, são contrárias ao que ainda hoje pregam a Igreja, o Estado e a Burguesia. Haja vista a discussão que se disseminou na votação das propostas dos Planos Municipais de Educação, em 2015, nas cidades paulistas, como foi o caso de Sorocaba. Toda a discussão do Plano se resumiu, no dia de sua votação na Câmara Municipal, na disputa da Igreja Católica, pela primeira vez aliada a setores protestantes não-tradicionais, os chamados genericamente de “evangélicos”, por excluir das metas qualquer menção a gênero ou diversidade.

O outro artigo, oposto a esse da Joana Dubois, teve uma vida bem mais longa, alcançando várias edições do jornal. Vez ou outra esse artigo apareceu assinado por “Leonina”, que parece ser um pseudônimo. Voltado quase que exclusivamente para a educação das crianças, a série de artigos traz uma visão otimista da sociedade e apela, muitas vezes, para Deus com o intuito de promover a missão do educador, que a articulista vê como muito próxima da missão da mulher. Interessante que mesmo sendo basicamente opostos, os dois artigos tiveram início na mesma edição, o que deixa claro que o jornal era mesmo “franqueado” a diversas correntes ideológicas. Isto deve ficar evidente pois, até a alguns anos, o jornal “O Operário”, de Sorocaba, era considerado um jornal anarquista ou anarcossindicalista, pois havia muitas publicações claramente alinhadas a essas doutrinas. Mesmo a sociedade revolucionária pregada por Joana Dubois, que a chama de libertária, denota alguma possibilidade de filiação a corrente de tom anarquista.

No entanto, assim como os anarquistas, tantos outros encontraram guarida nas colunas do jornal, desde que seus textos contribuíssem, de alguma forma, para a luta pela emancipação do proletariado.

Leonina inicia seu artigo de forma a esclarecer os objetivos da publicação daquela série de artigos, intitulada “Para nossos filhos por uma amiga da infância. Aos Educadores”:


Depois do pensamento e da palavra de Deus, nada é mais bello e mais nobre do que a missão do verdadeiro educador da infância. A abnegação, o desinteresse e o sacrifício, devem ser a única divida da pessoa a quem Deus e a sociedade concederam tantas prerrogativas. O seu ministério todo moral e a dignidade das suas funções medem-se pela profundeza das suas responsabilidades. Assim pois vós ó mães e educadores da mocidade pesai bem a tremenda responsabilidade que está sobre os vossos hombros! Lembrai-vos que tendes de dotar e enriquecer essas almas cândidas a nós confiadas. Tendes alem disso de encaminhal-as para a felicidade d’esta e da outra vida. O mais sagrado de todos os interesses sociaes é a educação popular, e é por isso que os espíritos verdadeiramente humanitários, consideram esta missão como um dos mais poderosos meios de fazer o bem. Como a principal mira da educação é inspirar sentimentos virtuosos nas creanças, penso fazer um pequeno benefício às mães e aos educadores, escrevendo este modesto diário, onde encontrarão um bom pensamento, um conto edificante ou uma prática piedosa, os quaes lidos e commentados, podem resultar salutares fructos ao juvenil auditório [...] Por muito feliz se dará a auctora destas linhas se aquelles que comprehenderem o alcance da sublime missão de que se acham investidos, empregarem toda a sua insistência para gravar no coração das creanças os bons sentimentos que as guiem em todo o resto da vida (O OPERÁRIO, 30 jan 1910, p. 3).


Afora o aspecto conceitual de educação como uma missão “divina”, dom este concedido por Deus, há outro aspecto que ressalta do texto: o encargo da educação como algo próprio da mulher. Para a autora do artigo, ao menos a educação familiar é de responsabilidade da mulher, da mãe, sobre a qual foi depositada essa responsabilidade sobre seus ombros. A visão de que a educação familiar é prerrogativa feminina, sobrecarregava a responsabilidade da mulher pelo destino da sociedade, para a felicidade das pessoas tanto nesta como na “outra” vida, o que, pelo caráter messiânico e religioso do texto, pode-se entender como a vida da alma após a morte do corpo. Nesse sentido, até a “salvação” da alma estava sob a responsabilidade da mulher-mãe.

Antagonicamente os dois textos apresentam visões diferentes sobre a mulher. O primeiro diz que a mulher não deveria ficar em casa, ser mãe, cuidar de seus filhos... O segundo, diz que a missão divina da mulher é ser mãe e educar seus filhos para o bem da sociedade. Uma coisa só tangencia os dois textos: a responsabilidade pelo futuro da sociedade pousa sobre os ombros da mulher.

Um dos mais importantes articulistas do jornal “O Operário”, o jornalista Pedro Salles de Oliveira Mesquita, publicou um artigo no qual perguntava “O que é a mulher?”. Nesse artigo, Mesquita demonstra a sua dificuldade, como homem, em definir o que seja a mulher. Dedicado a uma mulher chamada Zulmira, Pedro Mesquita diz:


Facilmente qualquer das minhas leitoras com aquella graça com aquelle espírito fino e malicioso talvez me respondesse a essa pergunta se a ella eu fizesse; encoanto eu porem como que extasiado diante della não a posso definir e nem a compreender. E de certo não será fácil dizer o que é a mulher, se a estudando em seus caprichos em seus dezejos, em suas palavras e em seus actos em amor, encontra-se sempre um mysterioso abysmo insondável um problema insolúvel.

Onde chegaria se quizesse estudar a mulher? Que a leitora me perdoe. Não pretendo ir tão longe.

Aos philosophos e aos poetas compete a solução deste problema; e a mim porém, angariar a sympathia das lindas leitoras (se por acazo eu as tenho) a quem na sinceridade de minhas expansões de admiração pela mulher, a considero o centro de todas as grandes inspirações, e como sendo o foco de vida que no lar faz felicidade da família. O amor de mãe, a dedicação de uma esposa, a ternura de uma irmã, tudo me faz e enleva diante de um desses anjos que mais vivendo pelo coração do que pela inteligência, fazem consistir toda sua felicidade na terra procurando a dos outros. Eis o meu pensar sobre a mulher. Não acompanho a maioria dos homens que só vêm na mulher um abysmo de males, não; vejo nella o anjo protector da humanidade o fanal nas tempestades da vida o pharol de todas as alegrias na família...

Sorocaba, 7 de Julho de 1910

Pedro S. de O. Mesquita. (O OPERÁRIO, 10 jul 1910, p. 2).


Mesmo uma mente “esclarecida” como a do intelectual e jornalista Pedro Salles de Oliveira Mesquita, naquela época podia-se encontrar essa representação da mulher, como um ser que vive “mais pelo coração do que pela inteligência”, uma protetora da humanidade, a promotora da felicidade na família. Ao fato que escandaliza os nossos olhares do século XXI deve levar em consideração que ao lado dessa visão se colocava outra que era a que expôs o articulista: a mulher como abismo de males.

Outra publicação, intitulada “As nossas mulheres”, apresenta a seguinte descrição: “E a mulher é a depositária desse amor, é o tabernáculo que contém as taboas de seus mil encantos, sacerdotiza encarregada de as ler sem fallar com lábios, de os cantar sem sons à humanidade que contempla a meiga belleza de suas feições e dos dotes de sua alma. A mulher representa o amor – o homem representa o culto” (O OPERÁRIO, 9 jul 1911, p. 2).

Percebe-se que as figuras de linguagem, as metáforas e as referências buscadas para definir ou qualificar a mulher são sempre buscadas em imagens da divindade: tabernáculo, anjo, sacerdotisa, sagrado... No entanto, a mulher aparece como aquela que não fala, não canta, age mais pelo coração do que pela inteligência... A impressão que se tem é a de que os escritores desses artigos buscavam uma forma de “compensar” a representação que faziam da mulher – desprovida de fala e de inteligência – com a divinização de sua figura.

Por volta de 1912 esteve em Sorocaba um destacado anarquista, o francês Joseph Joubert Rivier que tinha posicionamentos considerados radicais, motivo pelo qual chegou a ser expulso do Brasil um ano depois. A prisão de Rivier serviu de base ao deputado Adolfo Gordo para justificar a emissão de uma lei de expulsão de estrangeiros “indesejados” (CAVALHEIRO, 2010).

Esse mesmo Rivier foi professor de uma Escola Moderna no bairro de Santa Rosália. Nessa escola, que seguia a pedagogia de Ferrer, não havia distinção de sexo, sendo, portanto, uma escola mista. Em 18 de maio de 1912, um mês depois de criada a Escola Moderna em Sorocaba, alunos do professor Rivier discursaram sobre diversos assuntos (em forma de seminários, como propunha a pedagogia ferreriana). Dentre as explanações feitas pelos alunos da Escola Moderna, destacam-se Maria José Dias, que falou sobre a União Operária; Thereza Peres que discorreu sobre a revolução social do México; Maria Munhoz, que proferiu uma palestra sobre a emancipação da mulher e Luiza Candiota que explanou sobre a Escola Moderna e seu valor. Tais mulheres, educadas sob uma pedagogia libertária e anarquista, com apenas um mês de funcionamento da escola, já realizavam palestras com assuntos de muita profundidade. Interessante observar que o tema da emancipação da mulher não foi excluído.

Provavelmente porque essa fosse uma das temáticas dos debates anarquistas. Um artigo assinado por Elvira, já nos últimos números do jornal traz a visão do que seria a mulher/mãe anarquista:





Mesmo assim, a mulher continua carregando a pecha de salvadora do mundo. Em todas as análises que foram feitas neste trabalho, o que sobra é essa quase associação da mulher à “Nossa Senhora”, a Virgem cheia de virtudes e que ao lado do Filho, o Cristo, trabalha para a redenção dos homens. Mesmo num artigo pretensamente anarquista, permanece a figura da mulher como responsável pela salvação do mundo.

Por outro lado, percebe-se que na historiografia sorocabana a mulher praticamente não aparece. No ano de 2015, o historiador Otto Wey Neto publicou, com os recursos da Lei de Incentivo à Cultura (uma lei municipal), o livro “Homens que fizeram a nossa história” que traz uma relação de homens da elite sorocabana que tiveram algum destaque na História. Há menção apenas a uma mulher, en passant, que também pertenceu à elite e que aparece no livro como um “apêndice” de seu esposo, o Brigadeiro Tobias. Essa mulher é a Marquesa de Santos. A única que teve a “honra” de figurar nas páginas do livro que bem demonstra como ainda se pensa numa história sem a presença da mulher.

Disso se depreende que aquelas vozes das fábricas de fato não foram ouvidas. E perdemos essa oportunidade para sempre, até que se encontre alguma fonte que possa ter registrado textos produzidos por essas mulheres. Quiçá o encontro de algum diário... Até lá, o que se pode ouvir são os roncos dos teares abafando as vozes dessas mulheres operárias.



Carlos Carvalho Cavalheiro

10.12.2015



BIBLIOGRAFIA


BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política. Ensaios sobre literatura e história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1987.


BOSI, E. Memória e Sociedade – Lembrança de Velhos. São Paulo: Companhia das Letras, 1994.


CAVALHEIRO, Carlos Carvalho. Memória Operária. Sorocaba: Crearte, 2010.


___________________________. Salvadora! Sorocaba: Crearte, 2001.


GONÇALVES FILHO, José Moura. Memória e Sociedade. In Revista do Arquivo Municipal. Memória e Ação Cultural. São Paulo: Departamento do Patrimônio Histórico, v. 200, 1992.


LE GOFF, Jacques. História e Memória. Campinas: Unicamp, 1996.


POLLAK, Michael. Memória, esquecimento, silêncio. Revista Estudos Históricos, 1989, 2.3: 3-15.


RODRIGUES, Edgar. Alvorada Operária. Rio de Janeiro: Edições Mundo Livre, 1979.



[1][1] Fábrica de Tecidos Nossa Senhora da Ponte. Era apelidada de “Fábrica Fonseca” porque o seu proprietário era Manuel José da Fonseca. Essa tecelagem foi fundada em 1882 e era a mais antiga fábrica de tecidos de Sorocaba.

27 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo