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Campanha pelas eleições Diretas em Sorocaba: Diretas Já!


O ano era 1984. Depois de vinte anos de regime ditatorial militar, o povo exigia a volta da democracia. A Lei de Anistia (LEI No 6.683, DE 28 DE AGOSTO DE 1979) promulgada em 1979 foi o grande passo para a redemocratização do Brasil. Mas, os militares ainda controlavam o governo brasileiro.


Havia uma vontade popular pelo direito à escolha de seus governantes. Até então, os cargos do Executivo eram escolhidos de maneira indireta, pelo Colégio Eleitoral.

O deputado federal Dante de Oliveira, do MDB, apresentou uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC) nº 05/1983 em que alterava os artigos 74 e 148 da Constituição Federal de 1967 (Emenda Constitucional nº 1, de 1969), permitindo assim a escolha do presidente da República pelo voto direto.


Fonte: Acervo de Carlos Carvalho Cavalheiro





A partir disso, iniciou-se uma campanha de forte apelo popular, com a participação de partidos de esquerda e progressistas, além de artistas, intelectuais, estudantes, movimentos sindicais, setores da Igreja Católica, enfim, diversos agrupamentos sociais.









Fonte: Acervo de Carlos Carvalho Cavalheiro


Em Sorocaba, milhares de pessoas compareceram ao comício pelas Diretas Já, realizado na Praça Coronel Fernando Prestes no dia 31 de março de 1984. A data marcava o 20º aniversário do Golpe militar que instaurou a ditadura. O comício teve a presença do vice-governador da época, Orestes Quércia, do MDB e do deputado Genoíno Neto do PT.












O jornal Cruzeiro do Sul, na edição de 1º de abril de 1984 noticiou: “Durante toda a tarde e parte da noite de ontem, o comitê executivo pelas diretas, ofereceu aos sorocabanos entretenimentos, os mais diversos como lazer para as crianças, show de músicas sertanejas e popular brasileira, tribuna livre, apresentação de um grupo de capoeiristas e culminando com o grande comício que teve como cenário um painel do ex-senador Teotônio Vilela, falecido recentemente e como terma de abertura a música "Menestrel das Alagoas” de Milton Nascimento, quando parte das luzes da praça foram apagadas e o público guardou o silêncio”.


Fonte: Acervo Cruzeiro do Sul, 1 de abril 1984.


Fonte: Acervo de Carlos Carvalho Cavalheiro

A Emenda Dante de Oliveira foi rejeitada com a seguinte votação: 298 deputados a favor; 65 contra; 3 abstenções e 113 ausências ao plenário. Mesmo não tendo alcançado o número suficiente para sua efetivação, a Emenda teve o condão de reunir novamente o povo que foi às ruas e conseguiu por fim à ditadura militar com a eleição do primeiro civil após 20 anos de regime militar: Tancredo Neves.










Carlos Carvalho Cavalheiro

25.06.2021

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